A Torre das palavras. A liberdade é a cor do Homem, já dizia Breton

26.6.09

A morte sai à rua

A morte sai à rua todos os dias, e não apenas «num dia assim», como cantava Zeca Afonso. Mas ontem acabou por ganhar a forma de um «dia assim».
Para mim os Anjos de Charlie são a Cameron Diaz e a Lucy Liu, e Michael Jackson alguém que cresci a ver cada vez mais amestiçado, preso num corpo que crescia sem a sua alma e por isso inventava casas em carrosséis - ou carrosséis em casas? -, e a dançar como os génios soltos das lamparinas.
Não sou a sua maior fã. Nem sequer fã, embora tenha a grande maioria do seu catálogo musical na memória.
Mas há pessoas que quase não para nós gente, estão lá num alto que não é divino mas é parecido. E visível. E essas pessoas, quando morrem, deixam esta gente sem perceber bem se o divino é mesmo mito. Ou relembram, tristemente, o mortal comum e não endeusado, que a morte sai à rua todos os dias, e leva mesmo qualquer um.

23.6.09

A cantiga do silêncio

A Dra. Manuela não conversa com ninguém.
E a seguir? Também.
Ou melhor, logo se verá.
Na expectativa de uma maioria
Que o país (não) lhe dará.
Se usasse a sabedoria popular para quebrar o seu tom pouco conversador, talvez a Dra. Ferreira Leite dissesse: mais vale só do que mal acompanhada. A Senhora lá sabe. É que o PSD ainda enche uma boa frota de autocarros de dois andares. O CDS, mesmo no aprumo dos seus 8%, ainda não sabemos se continua de táxi.

Um pequeno apontamento poético, porque tenho ouvido muito que nos falta poesia à(s) vida(s). À nossa política, só a lírica de Bocage.

22.6.09

George W. Bush e o álcool, Obama abstémio e o Irão, ora-em-pé-ora-não


Pela pena do historiador e cronista novel Eurodeputado do BE, Rui Tavares, vale a pena citar o Público. Falando da situação no Irão, e da relação dos EUA com aquele país na era de má memória de W. Bush e agora nos novos tempos de Obama, Rui Tavares conclui que esta era dialogante dá, apesar de tudo, os seus frutos.
Mas tal conclusão não é de todo despida de um hilariante brilhantismo metafórico, e passo a citar:

... Quem já viu dois bêbados à luta notou certamente que, passado algum tempo, eles acabam por ficar apoiados um no outro. Mais do que atacarem-se através da briga, é a briga que os mantém de pé. Nesse momento, aquele que tiver o discernimento de se afastar leva o outro a estatelar-se no chão. Uma das grandes ironias da política internacional é que, às vezes, as potências belicosas parecem bêbadas à briga.

O Partido vai nu

O Partido Ecologista os Verdes - aquele de que se diz ser como as melancias, verde por fora, vermelho-PCP por dentro, mas as coligações pré-eleitorais são assim e tal... - quer legalizar o nudismo nas praias onde a prática já é usual (nós, juristas, diríamos que quer transformar o costume em lei, ou positivar o costume), bem como reduzir o limite legal de distanciamento entre as praias para nudistas e os aglomerados urbanos para 500 metros.
O PEV vai nu, mas a lei muito gordinha. Tanto que se legisla neste país, senhores. E pensar que Os Verdes, na lógica da melancia, querem legislar para colocar a situação de acordo com a moral e bons costumes.
Será do calor? É como a Gronolândia, também anda a trabalhar para aquecer... o mesmo é dizer, para a independência, um destes dias.

21.6.09

A careca de uns é a Barbie de outros

Confesso-me adepta de experiências capilares.
Costuma dizer-se que as mulheres, assim que alguma coisa lhes corre bem ou mal na vidinha, correm para a mudança estética. Normalmente, por via capilar: corte de cabelo novo, madeixas, nuances, um qualquer apontamento trendy.
Já fui, durante anos a mais, ortodoxa em matéria de cabelos. Contentinha com o que Deus me havia dado e os ditames da esquerda me ensinavam: massajar só o intelecto, nunca o couro cabeludo, que puxar lustro à vaidade externa é pecado mortal na cartilha da esquerda verdadeira.
Quando me livrei da ortodoxia, realmente passaram a preocupar-se mais com o meu ar mais ou menos aprumado, e a chamar-me mais vezes Barbie do que ratinho de biblioteca. Mas acho que o Pacheco Pereira, com aquela gigantesca biblioteca na Marmeleira que tanto publicita, não tem que se preocupar com a coloração capilar que Menezes lhe pinte. Nem trendy, nem louro, nem nada de novo. Mas intelectual, sempre!
Já Menezes, que faz as vezes de 23 Barbies, 17 Kens e 12 Skipers (para os menos versados, a filha do casal Barbie+Ken), e pese embora a patente falta de cabelo, pode preocupar-se bastante mais com o balde de tinta que lhe caia em cima da cabeça. Ou não: pode ser que lhe disfarce as muitas carecas.

PERDÃO???? 94 quê?

O mundo, o planeta, a FIFA, a UEFA, o Miguel Sousa Tavares, enfim, toda a gente que é gente se indignou com o valor tri-di-bi-milionário da transferência de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid.
Fazem contas às camisolas de polyester que o clube espanhol tem de vender a multidões fanáticas para lucrar com a operação. Listam-se as beldades que esperam o grande CR7 em Madrid.
Caramba! Mas o capitalismo não estava morto? Mas não está o mundo em crise como nunca antes, desde 1929?
É daquelas coisas que toda a gente sabe: no futebol, algures, no abstracto do concreto, há corrupção. Mas imoralidade, ou melhor, amoralidade, esta é nova.

Despedidas

Esta semana, que trouxe o calor de volta, levou-nos da terra gente demais. Cada vez que alguém nos deixa é sempre demais. Nem que seja demais para os seus. Desta vez, num eclipse, foi demais para vários pequenos mundos deste, e para este, não tão grande país.


José Calvário
Carlos Candal
António Ruella Ramos





Canta o timbre único do Luís Represas, no «125 Azul» dos Trovante, que só Deus tem os que mais ama. Não sei se Deus existe. Mas se existe, esta semana é de perdão difícil.

1000 desculpas

...Mas recentemente descobri o Facebook. Adepta absoluta da monogamia, apliquei a máxima dos afectos à tecnologia, e detive-me naquela «rede social». Regresso a esta minha babilónia, na minha cadência muito própria.