A Torre das palavras. A liberdade é a cor do Homem, já dizia Breton

24.4.09

25 de Abril Sempre


Mesmo que geracionalmente desvalorizado.

Outra vez para ti

Banda sonora ocasional de dias alentejanos passados.
A cantora e a música são, ensinam-nos na escola, como a História: serve para, pela aprendizagem do passado, não cometer erros repetidos no presente e melhor construir o futuro:-)

16.4.09

Apresentado

15.4.09

Petição pelo regresso de dias solares


Vítor Constancio não nos ofereceu constância, mas uma esperança-desolada, erguida sobre maus números que não são afinal péssimos, porque menos maus que os alheios. Confesso que o percentual de descida das exportações e dos preços me surpreendeu pela positiva - se é possível usar esta palavra neste contexto -, e eu não me considero profetisa da desgraça...
A ver se a chuva ajuda, e sai de cena.

13.4.09

Eleições, amigos, conselhos, poesia... tudo dentro de uma pen

Procurando nas minhas múltiplas pen’s – esse micro-instrumento que nos guarda a vida às prestações, em risco permanente de perda – um esboço de texto académico que me faz falta neste minuto – e além das pen’s dou-me conta da micro-relevância sôfrega dos minutos – encontrei este texto, escrito a um amigo meu muito amigo e sábio conselheiro, em Janeiro de 2006, perdidas as eleições presidenciais em que apoiei Mário Soares. Escrito à beira-Douro, no Porto que viu a campanha encerrar o sonho dar-se por findo. Meu caro José Medeiros Ferreira, perdoe-me a partilha.


«Voltei a procurar a poesia. Como se a escrita poética fosse perceptível apenas no decurso de um determinado estado de alma, como se o poema se soubesse ler apenas quando os sentidos são despertados pela tristeza. A poesia é triste, e no entanto são só palavras.
Fui devolvida à poesia pelos acontecimentos das últimas eleições (presidenciais). Este reencontro despoletado pela tristeza, não deixa de ser feliz. Mas revelador de intranquilidade, inquietude, apreensão. Uma sequência de eventos colocam-me uma interrogação profunda, e da interrogação nasce o reencontro com a poesia.
Talvez seja esta a versão mais geométrica deste achamento, a consciência de que não posso ficar “nesta cadeira onde passo o dia burocrático”, presa ao “modo funcionário de viver”, do Adeus Português do O’Neill.
Sinto urgência em revê-la, em encontrar poemas e rever poetas. Incerta se não será antes esta fúria de leitura uma ânsia pela resposta. Encontrada, perder-se-á a poesia?
Deixei de saber escrever sonetos e rimar, há já algum tempo. A escrita é terapêutica, mas os poemas não nascem da lavagem da alma, não são puros, são feitos da sujidade das nossas vidas, e no entanto descrevem transparentemente a génese do poeta. Ocasional ou permanente.
Talvez saiba que os objectivos a que me propus provocam uma opacidade tal que a escrita não rime, não seja sonora, não cheire nem se diga.
A Academia não deixa espaço para introspecções poéticas, apenas para a seriedade da vida e firmeza de passos que se ensinam.
A política é a arte de saber mudar, mesmo depois de vivê-la. A manutenção do desejo de mudança, sem que fique preso na engrenagem mecânica e sem vida sensível; a conservação da esperança ingénua, mesmo quando moribunda; fazer, quando a acomodação parece manter-nos cativos na pequenez das (pequenas) coisas medíocres. Fazer. Mudar. Importar.
Talvez não haja poesia nestas vidas que procuro, em perigo constante, equilibrar – como me aconselha. E a procure como uma terceira vida. Ou quarta, ou quinta, ou a sétima vida felina… viu A Pantera?
Ou, somente, a poesia seja o geométrico ponto de equilíbrio na variabilidade de papéis a cuja vestimenta quotidiana obrigo o espírito.
Ainda assim, prefiro o talvez deste reencontro nascido infeliz, do que a permanente suposição tormentosa do Kipling…
É este o diálogo – clausulado do nosso contrato inter-geracional que lhe proponho. Negociável.»

Para ti

Escolhas

OST dos dias que correm

... ou Esta é para o meu amigo Pedro Marques Lopes

Sarah «drill, baby, drill» Pallin: oh, no, not again!




Pipe Dreams, belíssimo texto de Joe Mcginnis em visita ao Estado da Governadora Pallin e ao estado de alma das gentes Alasca.
Literatura que recomendo manifestamente, em especial ao Paulo Pinto Mascarenhas e ao Rodrigo Moita de Deus. Com um toque de ironia que só as primeiras horas das segundas-feiras permitem.

O desespero da segunda

Faz-se a lista da semana.
desfaz-se a lista,
que é irrealista.
Somam-se afazeres
e fica opaco o lugar do sonho
e do sono
vazio de tempo
que a lista leva-o todo.

Ou, como diria o Grande Poeta no seu Livro do Desespero, a páginas duzentos e setenta e nove: Projectos, tenho-os tido todos. (…) Fui génio mais que nos sonhos e menos que na vida. A minha tragédia é esta. Fui o corredor que caiu quase na meta, sendo até aí o primeiro.

O dia dos 3,7 biliões de euros, Diário de Notícias, 8.04.09

«Este é o dia em que mundo se uniu para lutar contra a recessão global, não com palavras mas com um plano para a reforma e recuperação mundial e com uma agenda clara». Foi assim que Gordon Brown, primeiro-ministro anfitrião da cimeira do G-20, anunciou as conclusões do concílio. Que, diz-se, substitui a reunião de Bretton Woods na sua grandeza, e oferece ao mundo um novo calendário para o desenvolvimento multilateral e justo. Esse foi o dia dos 3,7 biliões de euros.
Não sei se será assim: Bretton Woods seguiu-se a uma Grande Guerra Mundial e ofereceu ao mundo duas novas instituições – o FMI e o Banco Mundial – e a promessa de uma outra – o GATT, que após 50 anos deu origem à Organização Mundial do Comércio; Londres surge no olho do furacão, na busca de solução para a Primeira Grande Crise do século XXI e de troco a um novel proteccionismo.
E não são apenas as circunstâncias e o tempo que distanciam Bretton Woods, New Hampshire, EUA, de Londres, Grã-Bretanha, União Europeia. Em 1944, a ruína e descrença resultavam de uma Guerra Mundial quase finda, marcada pela combinação entre fascismo e nazismo combatido por uma exótica aliança entre o mundo ocidental livre e o estalinismo. Em 2009, a desagregação das verdades financeiras resultam de um excesso de confiança nos êxitos de um mercado totalmente livre e que, para Andrew Haldane, director do Banco de Inglaterra, conduziu reguladores, analista, banqueiros, políticos, a um estado de cegueira colectiva face aos riscos dessa liberdade.
Siga-me numa volta ao mundo pós-Londres em 180 dias. Pois em Setembro, daqui a 6 meses, o G-20 regressa para avaliar a execução da nova agenda.
Ensaio pós-cegueira. «Só alcançaremos a compreensão necessária» – conclui o Nobel Paul Krugman no seu estudo da Economia da Recessão – «se estivermos dispostos a reflectir lucidamente sobre os nossos problemas e seguir esses pensamentos aonde quer que nos conduzam». Houve lucidez em Londres? Para onde nos conduzem os pensamentos dos G-20?
Os tempos são de desconfiança e retracção. E este foi o ponto de falência de Londres: a coordenação de estímulos globais a uma economia paralisada pela quebra da procura e do crescimento. A concertação dirigiu-se ao plano institucional, concedendo ao FMI centralidade no sistema financeira da nova ordem mundial. Só que os «tóxicos» continuam a infectar o sistema, como um crédito mal parado que ninguém sabe onde irá, realmente, parar. A resposta imediata é a lebre, e não a tartaruga: parece atingir a meta velozmente, mas não se sabe se o percurso será demasiado sinuoso para uma lebre que embarque em excessos de esperança.
Os 29 pontos de conclusões do conclave dos 20 mais ricos do mundo apontam para o futuro mediato. Houve, então, lucidez em Londres? Parece que sim. Resolver o curto prazo sem oferecer ao mundo uma sua nova versão seria muito pouco. Mas o reforço orçamental, a reforma dos empréstimos e a gestão de cenários pré-crise pelo Fundo não são resposta cabal sequer ao problema nuclear desta instituição: outro Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, vem qualificando a acção do FMI como uma «Grande Desilusão», ao basear as suas intervenções nas economias em crise em medidas públicas inflexíveis e, viu-se nos Tigres Asiáticos, erráticas.
E o comércio internacional, uma aposta realmente estimulante? Recebe um bolo de 250 mil milhões, mas não se sabe qual será o seu destino.
E Obama? O irredutível candidato, agora líder do mundo livre, tratou a Europa com uma candura que sublima a sabedoria popular: «tem cuidado com o que desejas». Avisou a Europa que os EUA não podem continuar solitários na alavancagem do crescimento. Mas a Europa avisada foi a Alemanha, a França e a Itália. A Grã-Bretanha é o sempre eterno parceiro transatlântico dos EUA. Ou seja, a União Europeia não esteve, de facto, em Londres.
Mas sendo esta a cimeira de todas as esperanças, Obama é, por unanimidade e aclamação, o seu embaixador.
E depois do adeus a Londres. Os próximos meses revelarão o tamanho da mudança. Confesso-me céptica. «No longo prazo estaremos todos mortos», dizia Keynes, unânime alma mater desta cimeira e arredores. Mas o que deixarmos hoje deve ser o mundo novo de amanhã.

4.4.09

Hotel Babilonia

Para voltar a ouvir, amanhã às dez.

2.4.09

... E até à concretização desse magno desígnio...


... recomendo vivamente a crónica de Timothy Garton Ash, no The Guardian desta quinta-feira, «China arrives as a world power today - and we should welcome».
Um dos pensadores contemporâneos cuja leitura dos acontecimentos e interpretação escrita das circunstâncias, mais me entusiasma.

A ver vamos, G-20 e demais mundo

"This is the day that the world came together to fight back against the global recession, not with words but with a plan for global recovery and reform and with a clear timetable."
Gordon Brown, ao apresentar as conclusões do G-20

1.4.09

Para adociçar o ouvido, também made in USA

A música que me ocupa o sistema auditivo, desde que o destino e seu acaso me fez parar o zaping televisivo na (bela) série Cold Cases:
Scarlet Rose, de Alexa Khan

Os quadrilheiros, o escritor-bandido e o Presidente: uma tragédia da liberdade made in USA

Um tal de Larry Sinclair escreveu uma pérola do ensaio político e biográfico, intitulado «Barak Obama and Larry Sinclair: Cocaine, Sex, Drugs & Murder?». O escritor, assumindo a sua homossexualidade, afirma que teve um caso com o Presidente Obama, descrevendo mesmo um episódio entre os dois, semelhante àquele que levou Clinton a afirmar que não manteve relações sexuais com Monica Lewinsky, durante o qual Barak Obama teria usado cocaína.
As reacções são as clássicas. Os tablóides perseguem a muito-mas-apenas-tenuemente -esposa-vitimada. A imprensa «séria» desqualifica o autor. E Obama?
Tenho para mim que Obama, eleito líder do «mundo livre» - como os americanos gostam de nomear o seu Presidente -, não deve encontrar grande consolo na velha máxima «quem anda à chuva molha-se»...
Pessoalmente, acho extraordinário. A exacerbação até ao expoente máximo da liberdade de expressão - pois, aquela que dizem estar em tamanha crise entre nós - é geradora de situações inqualificáveis. Nos dias que correm, a candidatura a um cargo público e consequente eleição é bilhete garantido para a exposição às diatribes dos comunicadores sociais. Mas também de quem entenda que a exposição mediática é proximidade suficiente para gerar em si um conhecimento profundo sobre o político em causa, como se fosse seu conhecido de sempre, e dele se sabendo e esperando sempre o pior.
A isto chama-se pescadinha-de-rabo-na-boca. Enquanto existir e persistir-se na certeza presuntiva de que os políticos são uns malandros, só ou sobretudo potenciais malandros terão ensejo para concorrer. Ou, pelo menos, para permanecer. A prazo, é para aqui que caminhamos. Acelerando o passo a cada dia.
Mas também se chama vergonha social. Até poderia ser verdade: Obama ter experimentado relações homossexuais, drogas recreativas. E depois? Os americanos são puritanos, mas elegeram o Sr. Obama pela capacidade que lhes devolveu em sonhar o optimismo e corrigir a tragédia W. Bush. Quanto à acusação de homicídio, que o autor da blasfema obra também dirige a Obama, espero que se avolumem os processos judiciais peticionados pelo Presidente dos EUA contra este tal Sinclair.
Parece-me que não foi para isto que Barak Obama se fez eleger, ainda que sabendo estar a dar o peito às vicissitudes da exposição pública do cargo. Ele há escrutínio, e ele há vandalismo sobre a forma de liberdade de expressão. E depois há ainda a alucinação - que na América conquista muitas vezes o colectivo.

Dias assim


Recentemente, numa entrevista, perguntaram-me se escolhi «BABEL» para nomear este meu blogue porque é na diversidade que se definem novos caminhos. Respondi que sim, mas também «porque vivemos cada vez mais numa torre babilónica em que falamos todos muito, somos todos muito achistas, mas comunicamos pouco e fazemos questão de nos percebermos ainda menos. Sinto-me diariamente numa Torre de Babel. Nem parece que falamos a mesma língua».
E há momentos em que quase me torno claustrofóbica nesta Torre de falantes surdos-mudos.