Um tal de Larry Sinclair escreveu uma pérola do ensaio político e biográfico, intitulado «Barak Obama and Larry Sinclair: Cocaine, Sex, Drugs & Murder?». O escritor, assumindo a sua homossexualidade, afirma que teve um caso com o Presidente Obama, descrevendo mesmo um episódio entre os dois, semelhante àquele que levou Clinton a afirmar que não manteve relações sexuais com Monica Lewinsky, durante o qual Barak Obama teria usado cocaína.
As reacções são as clássicas. Os tablóides perseguem a muito-mas-apenas-tenuemente -esposa-vitimada. A imprensa «séria» desqualifica o autor. E Obama?
Tenho para mim que Obama, eleito líder do «mundo livre» - como os americanos gostam de nomear o seu Presidente -, não deve encontrar grande consolo na velha máxima «quem anda à chuva molha-se»...
Pessoalmente, acho extraordinário. A exacerbação até ao expoente máximo da liberdade de expressão - pois, aquela que dizem estar em tamanha crise entre nós - é geradora de situações inqualificáveis. Nos dias que correm, a candidatura a um cargo público e consequente eleição é bilhete garantido para a exposição às diatribes dos comunicadores sociais. Mas também de quem entenda que a exposição mediática é proximidade suficiente para gerar em si um conhecimento profundo sobre o político em causa, como se fosse seu conhecido de sempre, e dele se sabendo e esperando sempre o pior.
A isto chama-se pescadinha-de-rabo-na-boca. Enquanto existir e persistir-se na certeza presuntiva de que os políticos são uns malandros, só ou sobretudo potenciais malandros terão ensejo para concorrer. Ou, pelo menos, para permanecer. A prazo, é para aqui que caminhamos. Acelerando o passo a cada dia.
Mas também se chama vergonha social. Até poderia ser verdade: Obama ter experimentado relações homossexuais, drogas recreativas. E depois? Os americanos são puritanos, mas elegeram o Sr. Obama pela capacidade que lhes devolveu em sonhar o optimismo e corrigir a tragédia W. Bush. Quanto à acusação de homicídio, que o autor da blasfema obra também dirige a Obama, espero que se avolumem os processos judiciais peticionados pelo Presidente dos EUA contra este tal Sinclair.
Parece-me que não foi para isto que Barak Obama se fez eleger, ainda que sabendo estar a dar o peito às vicissitudes da exposição pública do cargo. Ele há escrutínio, e ele há vandalismo sobre a forma de liberdade de expressão. E depois há ainda a alucinação - que na América conquista muitas vezes o colectivo.