A Torre das palavras. A liberdade é a cor do Homem, já dizia Breton

21.2.09

Raios. Coriscos. Trovões. Abaixo os leões.


Eu bem sei que devia abster-me de ver certos jogos. Aqueles que estão fadados para a desgraça, pelo menos.
Mas não aprendo. E lá estive eu, a sofrer, praguejar e a «aquecer» as orelhas do Quique Flores durante 90 minutos. Palpitações cardíacas. No rescaldo, parece que fui atropelada por um camião. E fui: a incompetência atroz dos jogadores do Benfica e do treinador que só em desespero de causa mexe na equipa. E aí vem os Leixões. E estes sportinguistas, que têm sido ainda mais toscos que nós, vão chegar ao Dragão e perder - só para nos chatear.
Levámos um golito logo aos 7 minutos e tal, para animar. Entre os 8 minutos e os 33 não largámos o meio campo do Sporting e o Suazo fez o que pode sozinho - até o penalti que ofereceu a Reyes a possibilidade de fazer qualquer coisinha de jeito resultou de uma carga sobre o Suazo. E voltámos dos balneários a parecer um bando de jogadorzinhos emperrados de uma mesa de matraquilhos daquelas que descaem para um dos lados.
Caramba. O lacrosse, sendo uma seca, é mais adequado à pacatez do fim-de-semana.

P.S. Destilada a minha miséria pela desgraçada derrota, e as réstias da nervoseira dos 90 minutos de jogo, não me ocorre acenar lencinhos brancos a Quique Flores. Se há coisa que o Benfica precisa é de estabilidade para construir uma equipa com identidade. De Águias, sff.

19.2.09

Também tu, Greenspan?

Na sequência de uma entrevista de Alan Greenspan ao Finantial Times de dia 17, o blogue da Foreign Policy afirmava ontem: «Even Greenspan is a Keynesian now».
Isto porque o antigo Presidente da Reserva Federal Norte-Americana defende, na referida entrevista, a nacionalização temporária da banca como solução para a crise:

It may be necessary to temporarily nationalise some banks in order to facilitate a swift and orderly restructuring. I understand that once in a hundred years this is what you do.

Greenspan dixit.
Mas não está sozinho, é certo. Alguns republicanos, como John MacCain, são favoráveis à nacionalização de alguns bancos. Deste lado do Atlântico, há cerca de duas semanas, o Nobel Paul Krugman - assumido neo-keynesiano - aconselhou Gordon Brown a nacionalizar integralmente a banca do Reino Unido.

Acho que Keynes se revolve no túmulo com tais adesões recentes à sua doutrina, mas sobretudo com a reinvenção das suas premissas doutrinárias. Parece que ser a favor da intervenção directa do Estado na economina, desde que com intensidade q.b., já é ser Keynesiano. Enfim, como dizia o próprio, «no longo prazo estaremos todos mortos». E depois do adeus à crise, voltarão todos ao monetarismo e os Europeus ao PEC.
Julgava eu que não assistira ao dia em que alguém com a linha de pensamento de Greenspan, e os políticos dos EUA - os senhores da «caça às bruxas comunistas» -, defenderiam nacionalizações. Mas o mundo mudou muito... e dos ancestrais tempos da cortina de ferro ecoam sonoras gargalhadas...

E depois da crise, senhores? Isso sim, pergunto...

18.2.09

Por ser verdade mas merecer contraditório...

... fica aqui esta frase de Vinicius de Moraes, que um viajante por esta minha Babilónia citou:

«A Vida é a arte do encontro apesar de haver tanto desencontro na Vida...».

Zoetrope


Não, os que praticam a actividade política não pensam apenas em política. E aqueles - no caso, aquela - que aprecia a tecnicidade das finanças públicas também não pensam apenas no Direito Financeiro e na economia real. E quando blogam, não escrevem posts apenas sobre política e finanças.
Por isso, recomendo vivamente o espectáculo multifacetado de Rui Horta e dos Micro Audio Waves, na Culturgest, dia 19 de Fevereiro (amanhã, portanto).
E quase, quase na quarta-feira de cinzas, o londrino Nitin Sawhney vai ao Coliseu dos Recreios (24 de Fevereiro). Música para estes ouvidos.

Estes Europeus são loucos?! (ou uma aventura de «Asterix e os Europeus»)


A Ecofin aprovou a semana a possibilidade de criação de bad banks – os «bancos tóxicos» – no espaço da União.
É certo que a crise apela à intervenção do(s) Estado(s), deitando mão aos instrumentos possíveis de política orçamental e fiscal. Mas julgo que até o reeleito herói da economia John M. Keynes, não fosse a efemeridade da vida o impedir, regressaria à produção doutrinária ante tamanha «novidade». É que a «desintoxicação» do sistema bancário por esta via reclama um esforço financeiro estatal de tal importe, com efeitos que se projectam num tão longo e distante prazo, que os bad banks serão, provavelmente, uma bad idea. Nem o emissor único das sempre faladas e nunca criadas Eurobonds salvaria (muitos d)os 27.
Aparentemente, nós seremos uma aldeia irredutível nesta matéria, tendo o Ministro Teixeira dos Santos declarado já a sua descrença nos «bancos tóxicos». Mas se os demais – ou alguns dos – 26 aprovarem este tipo de «programa de desintoxicação bancária», os nossos bancos, intoxicados ou não, concorrerão no mercado interbancário com bancos absolutamente clean.
E as regras da Sacrossanta concorrência, erigidas a um estatuto para-biblíco e imutáveis no Tratado de Roma desde a sua assinatura, em 1957?

A captura de Paulo Portas


A senda de antagonismo de Paulo Portas em relação a Vítor Constâncio contínua. Neste novo episódio, o líder do CDS-PP anunciou a apresentação de uma proposta de impeachment regulatório, tornando possível afastar responsáveis das entidades reguladoras no sentido de impedir que a democracia fique «capturada por um regulador que ninguém pode demitir».
Habitualmente, a doutrina sobre a regulação económica teme a «captura do regulador pelo(s) regulado(s)». Paulo Portas teme a captura da democracia. Que Manuela Ferreira Leite, diz-se que com ironia, já quis suspender. Percebe-se a facilidade do acordo autárquico entre os dois partidos...
Mas voltando ao capturado, à captura e ao capturador, assistem-me duas dúvidas:


1) Se as entidades reguladoras são constitucionalmente independentes, e tantas vezes a oposição questionou essa independência ante a acção deste Governo (veja-se o caso das tarifas da electricidade e a posição da ERSE, a Entidade Reguladora do Sector Energético), pretende agora o CDS-PP «reconfigurar» os termos de tal independência?

2) Terá p CDS-PP abdicado integralmente do ideário liberal da direita, e assumido que o mercado e a self-regulation são de falência comprovada e a regulação carece de reforço e a intervenção pública e estatal também?

O twitter, o Deputado Pedro Duarte e o plano tecnológico...


Eis a razão pela qual o PSD, nas eleições de 2005, falava de um «choque tecnológico» (ao que parece, invenção de António Mexia), e o PS propôs e pratica um «Plano Tecnológico».