A Torre das palavras. A liberdade é a cor do Homem, já dizia Breton

21.6.09

A careca de uns é a Barbie de outros

Confesso-me adepta de experiências capilares.
Costuma dizer-se que as mulheres, assim que alguma coisa lhes corre bem ou mal na vidinha, correm para a mudança estética. Normalmente, por via capilar: corte de cabelo novo, madeixas, nuances, um qualquer apontamento trendy.
Já fui, durante anos a mais, ortodoxa em matéria de cabelos. Contentinha com o que Deus me havia dado e os ditames da esquerda me ensinavam: massajar só o intelecto, nunca o couro cabeludo, que puxar lustro à vaidade externa é pecado mortal na cartilha da esquerda verdadeira.
Quando me livrei da ortodoxia, realmente passaram a preocupar-se mais com o meu ar mais ou menos aprumado, e a chamar-me mais vezes Barbie do que ratinho de biblioteca. Mas acho que o Pacheco Pereira, com aquela gigantesca biblioteca na Marmeleira que tanto publicita, não tem que se preocupar com a coloração capilar que Menezes lhe pinte. Nem trendy, nem louro, nem nada de novo. Mas intelectual, sempre!
Já Menezes, que faz as vezes de 23 Barbies, 17 Kens e 12 Skipers (para os menos versados, a filha do casal Barbie+Ken), e pese embora a patente falta de cabelo, pode preocupar-se bastante mais com o balde de tinta que lhe caia em cima da cabeça. Ou não: pode ser que lhe disfarce as muitas carecas.