A Torre das palavras. A liberdade é a cor do Homem, já dizia Breton

4.3.09

Ribeira das Naus

Sou alfacinha de gema, trabalhei durante três anos no Terreiro do Paço e a Baixa Pombalina é uma das minhas zonas favoritas na cidade. Recordo-me dos tempos em que aquela grande praça servia de parque de estacionamento e assino por baixo a corajosa decisão de encerrarão trânsito a Ribeira das Naus, fronteira ao Tejo e vizinha da Praça do Comércio. Uma medida essencial, tomada por António Costa; uma decisão polémica, de execução destemida. Sublinhe-se este último adjectivo.
É vital que os lisboetas e todos os que vivem a cidade compreendam a razão desta medida: a construção de uma rede de tratamento de resíduos e esgotos de 120 mil lisboetas, que até agora eram lançados ao Tejo sem qualquer trato; ali, mesmo em frente ao Cais das Colunas. Aproveitando esta obra, as condutas de água do eixo Cais do Sodré-Algés vão ser renovadas e as fundações do Torreão Poente, em risco de ruína, vão ser reforçadas. Serão quatro meses. No país em que a se abdica da mais banal pontualidade, a crença da população escasseia. Mas serão quatro meses.
As pessoas perguntam-se porque é que não se aproveitaram as obras do metro e outras dos últimos 11 anos. Confesso que não sei. Mas sei a quem perguntar: aos anteriores edis. Um dos interrogados deve ser Santana Lopes, que volta e revolta a ser candidato em Lisboa. Em ano de eleições, o Presidente António Costa fez o necessário e não o eleitoralmente correcto. Ali, onde o Velho do Restelo parece renascer constantemente.


Publicado na Focus de 25/2

P.S. Ainda que desnecessário, fica o meu registo de interesses: sou Deputada Municipal em Lisboa, eleita pelo meu Partido – o Socialista – e apoiante de António Costa. Naturalmente.