A Torre das palavras. A liberdade é a cor do Homem, já dizia Breton

31.3.09

No país das incompletas maravilhas

O recém-eleito Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, João Palma, pediu uma audiência a Belém invocando que os magistrados estão a sofrer pressões de «que estão a atingir níveis incomportáveis».
Antes de lançarem ao ar acusações de desrespeito pela liberdade, em três ou quatro dimensões distintas deste precioso bem, deviam equacionar que o exercício da mesma pode revelar-se, perniciosamente, uma espécie de violação simultânea. Nada tenho contra denúncias, comentários, relatos, relativos a alegadas pressões exercidas sobre os magistrados do MP. O único problema decorre da palavrinha que escrevi na linha anterior: «alegadas». O Senhor Magistrado João Palma lança a bomba e foge para bem longe, não vá um estilhaço atingir grande distância.
Entretanto, o Procurador-Geral da República, em comunicado, desmentiu a «alegação». Não foi um ligeiro desmentido, foi um desmentido pleno.
O que me perturba não são, de modo algum, as declarações do Presidente do Sindicato dos Magistrados do MP. Preocupa-me a atitude subsequente. Há pressões? De quem? Sobre quem? De que tipo? Como, quando e porquê (a lembrar uma programa sobre crime, que a RTP passava teria eu uns cinco/seis anos...)? Não disse. Não se sabe. Ficou por esclarecer.
E eu acho que pessoas que exercem cargos relevantes para a paz da comunidade e construção do tecido social, não devem contribuir para a sua desconstrução. Devem ser livres e falar. Mas ponderar, também. Ou provar, em alternativa. Pronto, ao menos completar as frases.