
Já passou uma semana e meia da cerimónia de entrega dos Óscares. Slumdog Millionaire ganhou em larga escala, contra a vontade da crítica que foi, antes e depois, acutilante (no P2 do Público de dia 24 de Fevereiro, Luís Miguel Oliveira escrevia: Quando Spielberg, o “patrão”, foi ao palco entregar o Óscar da consagração a Slumdog, pudemos ver ali qualquer coisa de simbólico: a oficialização do namoro de Hollywood a Bollywood, com os britânicos como chaperons e os oceânicos como testemunhas. A joint-venture perfeita: é que os chineses, também na indústria de cinema, estão cada vez mais poderosos). Já vi quase todos os candidatos ao Óscar de melhor película. O Estranho caso de Brad Pitt/Benjamin Button acaba por valer pela história escrita por Scott Fitzgerald, pela caracterização e pela sublime Cate Blanchett, que envelhece no ecrã – e na ordem lógica da natureza – com uma serenidade antagónica aos sentimentos da sua personagem. The Reader é um filme que não condiz com o momento: down, down, down we go, enquanto assistimos ao filme que torna a sala ainda mais escura. E Kate Winslet, que aparentemente merecia o Óscar de melhor actriz pela performance em Revolutionary Road, é a campeã dos filmes depressivos mas intelectualizados. Milk é Sean Penn. A Dúvida o 15.º de Meryl Streep. E Frost/Nixon só me chegará às vistas via DVD.
Agora, Slumdog Millionaire… é um belo, cru, violento mas emocionalmente satisfatório, filme. Está bem construído, e tendo muita informação e acção a decorrer em simultâneo, não é excessivo. O convite a percorrer a vida de Jamal ao ritmo das perguntas do concurso televisivo, a que ele concorre apenas pelo desencontro que conhecemos no início e é corrigido no fim, é demasiado apetecível para declinar. E acaba bem. O intelecto não vive apenas de estímulos de tristeza e depressão. Mas a crítica acha que sim. Por alguma razão a palavra «crítica» tem-lhe associado o peso da negatividade.
Por todos, a Vanity Fair deste mês de Março, ao fotografar os pares cinematográficos do momento pela lente-génio de Annie Leibovitz, apelida a dupla Danny Boyle e Dev Patel de «The Dickensians»: Danny Boyle as slung some pretty brutal stuff at us before – that ’95-’96 one-two punch of Shallow Grave and Trainspotting, not to mention 28 Days Later in 2002 – but Slumdog Millionaire is a real sock to the solar plexus. The reason? It´s more than cunning, violence, and kinetic thrills; it’s got heart, the way a Dickens novel has heart. Trough all the muck and carnage, all the pendulum swings between penurious and privileged milieus, there is a sympathetic human protagonist whose struggle. In gawky, jug-eared Dev Patel, Boyle found his perfect pip (...)