
A Ecofin aprovou a semana a possibilidade de criação de bad banks – os «bancos tóxicos» – no espaço da União.
É certo que a crise apela à intervenção do(s) Estado(s), deitando mão aos instrumentos possíveis de política orçamental e fiscal. Mas julgo que até o reeleito herói da economia John M. Keynes, não fosse a efemeridade da vida o impedir, regressaria à produção doutrinária ante tamanha «novidade». É que a «desintoxicação» do sistema bancário por esta via reclama um esforço financeiro estatal de tal importe, com efeitos que se projectam num tão longo e distante prazo, que os bad banks serão, provavelmente, uma bad idea. Nem o emissor único das sempre faladas e nunca criadas Eurobonds salvaria (muitos d)os 27.
Aparentemente, nós seremos uma aldeia irredutível nesta matéria, tendo o Ministro Teixeira dos Santos declarado já a sua descrença nos «bancos tóxicos». Mas se os demais – ou alguns dos – 26 aprovarem este tipo de «programa de desintoxicação bancária», os nossos bancos, intoxicados ou não, concorrerão no mercado interbancário com bancos absolutamente clean.
E as regras da Sacrossanta concorrência, erigidas a um estatuto para-biblíco e imutáveis no Tratado de Roma desde a sua assinatura, em 1957?